domingo, 30 de novembro de 2008

AVALON


Avalon, esse reino perfeito de amor e beleza, continua sendo a busca constante de todo o ser humano que, apesar de todas as desilusões, ainda tem a esperança de fazer deste mundo uma lenda real, ou seja, um lugar melhor para se viver.
Antigos manuscritos irlandeses evocam alguns nomes para Avalon, são eles: Tir na Nog, o País da Juventude; Tir Innambeo, o País dos Viventes; Tir Tairngire, o País da Promessa; Tir Naill, o Outro Mundo; Mag Mar, a Grande Planície ou Mag Mell.
Entre as populações de origem céltica, a maçã representa o conhecimento, a revelação e a magia. Existem vários relatos referentes às viagens célticas ao Além, Immram, as jornadas místicas, nas quais um herói é atraído por uma fada, que lhe entrega um ramo de maçã e o convida para ir para o Outro Mundo, como em A Viagem de Bran, Filho de Febal. Num outroImmram, A Viagem de Maelduin, que trata da busca do herói pelos assassinos de seu pai, ele passa por uma ilha onde encontra uma macieira e dela corta um ramo com três maçãs. Estes frutos são capazes de saciar a sua fome e a de seus companheiros por quarenta dias sem ingestão de qualquer outro alimento. (Jean Markale, 1979:246)



A Ilha das Maçãs também recebe o nome de Ilha Afortunada porque ali há todo tipo de vegetação natural. As colheitas são abundantes e os bosques estão cobertos de maçãs e uvas. Avalon era governada por Morgana e suas nove irmãs, que também possuíam o dom da imortalidade. Avalon está associada a Caer Siddi, o Outro Mundo ou Annwn, a Terra dos Mortos e da Eterna Juventude.
Existia em Caer Siddi uma fonte onde jorrava vinho doce e onde envelhecimento e doença eram desconhecidos. Entre os seus tesouros havia um caldeirão mágico, tema diretamente ligado à abundância existente na Ilha das Maçãs. (Ellis, 1992: 25; Geoffroy de Monmouth, Vita Merlini e Jean Markale, L'épopée Celtique en Bretagne).
Na mitologia céltica existem dois tipos de caldeirão: o caldeirão do renascimento e o caldeirão da abundância. Dagda, pai de todos os Deuses, possuía um caldeirão proveniente da cidade de Múrias. Ao provar dele, ninguém passava fome, (Ellis, 1992:77). Já Matholwch recebera o caldeirão do renascimento do Deus Bran e com ele era possível ressuscitar um morto, mas que perdia a capacidade de falar. (Mabinogion, 1988: 31).
Havia ainda um terceiro caldeirão entre os celtas, o caldeirão do sacrifício, no qual os maus monarcas eram jogados. É possível observar aqui, um sentido totalmente diferente dado à figura régia, que tem principalmente a tarefa de estabilizar a sociedade e que é descartada quando não cumpre bem suas funções. O monarca é mais um “moderador ou distribuidor de riquezas que um detentor de poderes civis e militares”. Representa um garantidor da abundância, sendo o rei que sobrecarrega os súditos de impostos, sacrificado, afogado numa tina de cerveja ou hidromel. (Le Roux e Guyonvarc'h, 1993:63)
O tema do caldeirão, mais tarde, deu origem ao mito do Graal, inicialmente nas obras de Chrétien de Troyes. Com a sua cristianização em fins do século XII, o conteúdo do cálice passou a ser o sangue de Cristo na cruz. Sangue, o conhecimento, o alimento da alma.

A propósito da temporalidade do Outro Mundo, representada pela Insula Pomorum, é interessante observar que a passagem do tempo não é percebida pelos humanos que para lá vão, como pode ser visto nos relatos sobre Bran, Guingamor e Santo Amaro. (Le Goff, 93)
Por isso, as brumas obedecem apenas aos que servem ao princípio maior dos Deuses, o equilíbrio da unidade que está dentro de cada um de nós. A lenda se torna realidade, mas o medo, como sempre, é o grande desafio daqueles que estão na travessia deste portal mágico, para desvendar os segredos do Outro Mundo.
O templo é o nosso mundo interior, o altar é a ponte que nos liga as divindades e somente nós podemos escolher adentrar dentro dele. Apenas aqueles que compreenderem que a vida é infinita em suas possibilidades poderão abrir suas portas.
Não se iluda com devaneios desnecessários, pois a vida é sábia e sempre nos coloca em caminhos que irão modificar não apenas a nossa existência, mas toda a realidade que nos cerca.
Faça as escolhas do seu coração, alicerçadas no bom senso e na harmonia interior. Busque apenas aquilo que for melhor para si no momento presente. Avalon se apresenta nos corações daqueles que são sinceros e seguem o que lhes foi traçado pelos Deuses, mas como sempre, somos nós que tecemos o fio do nosso destino.
Nunca duvide daquilo que foi revelado. Tenham olhos abertos tanto à frente como atrás, pois os embusteiros geralmente moram dentro de nós.
Honrem o seu código, trabalhem sempre juntos para o bem de todos para que, finalmente, possamos nos reunir aos nossos irmãos e anciões que, com humildade e saber, nos auxiliam nessa trajetória. A Roda do Ano é a Roda do Tempo, que gira eternamente. A Luz da Deusa está em toda parte e nos chama, a todo instante, para o seu sagrado labor.
A espiritualidade está em tudo, cada qual com suas vivências e suas descobertas, trilhando caminhos que nos levam ao sagrado equilíbrio. Através da sensibilidade e da intuição começamos a discernir aquilo que é melhor e o que realmente faz a nossa alma feliz.
Não se preocupem com fórmulas mágicas, porque a vida só vale a pena ser vivida com todos os desafios necessários para o nosso crescimento espiritual, mesmo que hoje você não entenda, pois o caminho não tem volta, quanto mais aprendemos, mais somos cobrados e esse é o grande teste da iniciação de cada um.
Avalon é uma lenda que nos desperta para uma nova realidade ou uma nova percepção. É essencial nos religarmos à energia do amor e da sinceridade, sem competições desnecessárias. Lembrando que as mulheres viveram quase dois mil anos no casulo da ignorância e agora é hora de fazer valer a sua essência divina, nunca se esquecendo, é claro, que dentro da natureza tudo se completa e que os homens também são parte dela.
São as lendas e os mitos que tornam os nossos dias mais reais e cheios de magia. Sabemos que muitas lendas foram inventadas sobre o Rei Arthur, além do seu fim misterioso, assim como à respeito de Avalon existir ou não em uma outra dimensão.
Os fatos conhecidos são que o Rei Arthur viveu entre os séculos V e VI e liderou os bretões contra o avanço saxão no cerco da Colina de Badon. Alguns textos históricos sobre os anos de 400-550 d.C, com as datas aproximadas em que foram escritos, são:
*De Excidio Britanniae (Da Destruição da Bretanha) de Gildas
*Historia Brittonum (Histórias dos Bretões)
*Annales de Cambriae (Anais de Gales)
O folclore regional é repleto de referências sobre civilizações perdidas, como o povo ancestral dos Reinos do Mar de Atlântida, supostamente os ancestrais da Terra Antiga. São marcos característicos de certos locais: o Zodíaco de Glastonbury e o Caminho Espiral de Tor. Assim como as ilhas submersas de Ys e Lyonesse ou as Ilhas Abençoadas de Avalon e Camelot.
Nesse ponto existe uma linha muito tênue, onde dois mundos tão distintos se encontram. O Graal está relacionado à Pedra Filosofal, à Fênix e ao Caldeirão. O símbolo da Grande Mãe, a taça, o receptáculo da Deusa.
Analisando por esse princípio, Avalon é, com certeza, o seu representante direto, sendo suas sacerdotisas, as guardiãs dos segredos do caldeirão ou os segredos da tríplice divina. Esse é um assunto bastante polêmico, mas de grande importância, pois sua essência está ligada diretamente à descendência do sangue real ou ao despertar da consciência.
Podemos dizer que é o reencontro da unidade cósmica dentro do nosso templo sagrado, a nossa “sancta sanctorum”, ou seja, a nossa alma transmutando para uma nova realidade espiritual. Que assim seja!



FONTE: Rowena Arnehoy Seneween ®
Templo de Avalon - Paganismo, lenda e mitos










POEMA CANALIZADO POR VIOLETA VITÓRIA


...Brumas de Avalon... na noite ela... entorpecida pelas águas vermelhas: que na distancia do tempo ele a deixou no Portal da Esperança houve um digito errado na matemática de Pitágoras vocês se afastaram: na imensidão do tempo se alongando na separação e só agora se encontrando entre a Lemúria e as pastagens do verde e encapado vestígios que a memória renascentista abriu neste tempo : o uivo e o murmúrio das lágrimas azuis que derramaram nas Brumas de Avalon!
O tempo se passou, foram resgatados pelos Mestres do Apocalipse ,numa nave eles vieram... acolheram vocês e dando-lhes um anel de nabelungo a musica suave cobriu-lhes o ápice da eternidade nos comandos de um tempo que a velocidade atingiu nos gravitos das esferas: E... no tempo que se escoa hoje, pobres homens que não enxergaram a gravidade do resumo das sonoras palavras do tempo que marcados pelas vozes dos anjos escaparam no ritmo do aveludado poema eterno que nós espíritos entoamos com nossas sonoras e silvestres palavras emudecidas pelo raio!

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